Quando eu soube do lançamento desse livro, fiquei tão, tão, tão animada como há muito tempo não ficava com um livro. Primeiro que a premissa me atraiu a atenção, o título é tão singular que ele se encaixa apenas para esse livro e nenhum outro e depois que eu terminei a história fiquei: sim, sim, sim! Precisava de uma leitura como essa! Vamos saber um pouco mais a respeito, para que eu tente convence - los da emoção que foi ler.
Nossa história é ambientada no reino medieval de Goredd, onde humanos e dragões vivem juntos e convivem bem... até certo ponto. Os dragões podem assumir a forma humana e são reconhecidos por usarem sinos em suas roupas. Enquantoo tratado feito entre a Rainha de Goredd e o Representante dos Dragões Ardmagar Comonot, for cumprido, eles conseguem viver em paz. Isso dura 40 anos, porque indícios levam a crer que foi um dragão que matou o Princípe Ruffus, e faz com que o tratado oscile bem as véspera da comemorção do mesmo, fazendo com que as duas raças acusem - se! Seraphina, nossa protagonista, mantém - se à margem de todo esse mundo até descobrir o que realmente é. Sua dificuldade em se esconder compete com as suas emoções de aceitar como nasceu. Ela para sempre estará marcada e ninguém deve saber - seu pai, principalmente, tenta de todas as formas deixa - la em segurança. Infelizmente, o povoado já começa a percebe - la, principalmente por causa do dom esplêndido e a relação emocional que tem com a música, que nunca antes foi visto por ninguém. Quando é contratada pelo exigente Viridius como assistente, acaba ficando mais exposta. Paralelamente a todos esses conflitos, ela sai com o Príncipe Lucian Kiggs em busca de respostas e acaba se aproximando ainda mais desse jovem, enquanto trava uma luta interna consigo mesma e externa contra todos.
Mil arrependimentos tive no amor,
Mil vezes desejei mudar o passado.
Eu sei, meu amor, não há caminho de volta,
Não há como renegar nossos mil deveres.
Temos de seguir com o coração pesado.
Mil arrependimentos tive no amor,
Mas de você nunca me arrependerei.
O que eu preciso dizer neste primeiro momento: inacreditável, incrível, maravilhoso! Li algumas resenhas em que as pessoas dizem que até a página 100 estava chato e blá blá blá. Pessoas, eu não tenho simplesemente NADA para falar de ruim de Seraphina. Um livro bem construido, com um enredo instigante, detalhes ricos e descrição da época medieval, literatura fantástica com aventura e dragões e dúvidas, com corrupção e desconfiança, onde todo mundo pode ser inocente ou culpado.
É tão gostoso acompanhar os pensamentos e descobrir a história através dos olhos da Seraphina porque ela é muito autêntica, um tantinho sarcástica e inteligente. Ela tem seus conflitos, mas consegue permanecer tão lúcida diante do inesperado, usando a racionalidade e esperteza ao seu favor com um toque quase que poético. Confesso, fazia muito tempo que eu não me sentia tão excitada por um livro assim. Eu li devagar; o receio que acabasse logo me fez diminuir o meu ritmo de leitura. E também o fato de ter vários personagens com vários nomes com escrita estranha que me fez ficar um pouco perdida. Mas isso é uma peculiaridade totalmente minha, tá? (o mesmo aconteceu em O Senhor dos Anéis e A Guerra dos Tronos).
Esse é o segredo do bom desempenho: convicção. A nota certa tocada com hesitação ainda assim sai desafinada, mas toque-a com ousadia e ninguém lhe fará perguntas. Se alguém acredita que existe verdade na arte - e eu acredito -, então é preocupante ver o quanto a habilidade de atuar é parecida com a de mentir. Talvez a mentira seja também um tipo de arte. Penso mais nisso do que deveria.
Todos os personagens ficaram bem construídos e sabemos exatamente qual é a função de cada. Os dragões que tem a sua filosofia de vida e se encantam com algumas peculariedades humanas; os humanos que não acreditam que os dragões possam ter sentimentos; Eu ri e também virei o rosto para algumas partes porque o que estava lendo me causava um pouco de angústia e dor. Eu ri dos pensamentos leves da Seraphina, das situações e pessoas que estavam ao redor dela, da sua descoberta pelo amor... Aqui eu faço um parênteses: apesar de ter algo de romance, não é o foco do livro, então, não se preocupem pensando que vai ser algo cheio de frescuras. A Seraphina não é assim.
Seraphina é um livro maravilhoso. Não me sentia assim com um livro há muito, muito tempo. E é gostoso quando aparece algo para quebrar a monotonia de leitura, na qual às vezes caímos. Seraphina tem continuação e eu espero ansiosamente por ela, apesar de nao ter sido lançada nem lá fora ainda. A construção, a credibilidade e autenticidade da autora dão um novo ar para o livro que poderia ser apenas mais uma história cm dragões, porém, traz qualidades na escrita e na trama cheia de descobertas.
Quanto ao livro físico: a capa é tão lindo quanto aparenta ser pelo computador e nada comparada em pega - lo ao vivo e sentir toda a textura e o trabalho dedicado e bem feito que a editora fez. No entanto, no título do livro foi utilizada uma técnica de impressão que fica muito bonita, mas mesmo com todo o cuidado que eu tenho com os meus livros, ele foi desbotando porque aonde a superfície encosta, vai apagando (vocês podem ver a foto de como ficou aqui). Eu já tinha falado dessa mesma técnica no livro Ladrão de Almas e aqui se repetiu. Quando eu terminei de ler, várias partes do título estavam sem a cor e eu sofri. Não encontrei um erro de digitação, tradução impecável e cuidadosa. Como sempre, o selo Jangada faz muito jus aos livros que publicam.
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