Título original: Point of Retreat
Editora: Galera Record
Autora: Colleen Hoover
Páginas: 304
Ano: 2013
Tradutora: Priscila Catão
Destinados um ao outro, Layken e Will superaram os obstáculos que ameaçavam seu amor. Mas estão prestes a aprender, no entanto, que aquilo que os uniu pode se transformar, justamente, na razão de sua separação. O amor pode não ser o bastante. Depois de testado por tragédias, proibições e desencontros, o relacionamento de Layken e Will enfrenta novos desafios. Talvez a poesida desse casal acabe num verão solitário... Sem direito a rimas ou ritmo. A ex-namorada de Will retorna arrependida de ter deixado o rapaz. E está disposta a tudo para reconquistá-lo. Insegura, Layken começa a ler novas reações no comportamento do rapaz. E na insistência para adiar a "primeira vez" de ambos. Presos em uma ironia cruel do destino, eles precisam descobrir se o que sentem é verdadeiro ou fruto da extraordinária situação que os uniu. Será que é amor? Ou apenas compaixão? Layken passa a questionar a base de seu relacionamento com Will. E ele precisa provar seu amor para uma garota que parece não conseguir parar de "esculpir abóboras". Mas quando tudo parece resolvido, o casal se depara com um desafio ainda maior - e que talvez mude não só suas vidas, mas também as vidas de todos que dependem deles.
Eu confesso que estou demasiadamente triste enquanto escrevo esta resenha porque eu me decepcionei com esse livro de um modo que não acontecia há muito tempo: isso porque eu criei tantas expectativas para ele e a autora desandou com a história. O fato de o livro ser pelo ponto de vista do Will me deixou com um sorriso bobo no rosto (finalmente vou poder conhecer a fundo os pensamentos desse fofo) e a premissa da história (será que ele e Lake estariam juntos se não fosse por tudo o que tinha acontecido aos dois, será que eles foram unidos pelas circunstâncias?) foi tão real e possível e crível que eu estava ansiosíssima para ver como seria isso.
Se eu fosse um carpinteiro, construiria uma janela para que pudesse ver minha alma. Mas eu manteria a janela fechada e trancada, para que assim, quando olhasse para a janela, visse o seu próprio reflexo. Você veria que minha alma é o seu reflexo.
Eu não vou desistir.
Você não vai ceder.
Esta batalha se transformará numa guerra
Antes de eu deixar que ela chegue ao final.
E eu gostaria de colocar toda a culpa do livro na Lake, mas a questão mesmo aqui foi a autora. Gente, por quê? Por que os autores estragam histórias que eram para ser super bacanas? Nem as poesias – por mais que maravilhosas – foram o suficiente. A premissa da história acabou na metade do livro, assim sem mais nem menos, e então o que a autora faz? Inventa uma SEGUNDA premissa RIDÍCULA para justificar o fato de que ela tinha que escrever mais e encher linguiça. *Lágrimas nos olhos* Por que, por que ela fez isso comigo? Sei que estou soando muito sentimental, mas não acreditei quando eu li o que li. Eu nunca pensei que fosse dizer isso, gostando de dramas como eu gosto, mas cheguei à conclusão de que essa autora tem a NECESSIDADE de problematizar tudo. A lógica dela é basicamente assim: ‘Que lindo este dia! Olhe como o céu está azul!’ ‘Como você é capaz de dizer isso? Se um cego estivesse ouvindo? Você acha que ele ficaria feliz em saber que todos a sua volta conseguem testemunhar a beleza do dia menos ele? Você acha que isso é justo? Não, não me responda agora. Eu preciso fazer com que sinta a realidade, vou furar seus olhos para que sinta na pele o que é não enxergar’. Não, desculpem, mas não estou exagerando.
Poxa, eu gostei de tantas cenas nesse livro, cenas específicas: a dinâmica entre a própria Lake e Will – as piadas internas entre eles dois são fantásticas -, o modo família como eles dois e os irmãos tinham, o relacionamento com seus amigos – inclusive a introdução da personagem Kiersten, a maturidade do Will e as coisas que ele escrevia sobre a Lake e como ele se sentia em relação ao irmão (e inclusive aquela cena que, você que leu sabe, em que Caulder demonstra como se sente em relação a ele também). E eu preciso dizer novamente: as poesias que não deixam a desejar em nenhum momento, elas são MARAVILHOSAS. Tinha tudo para dar certo, gente: a receita do bolo estava pronta. Mas aí a autora decide que ficaria super legal se ela acrescentasse pimenta malagueta e palmito no bolo de cenoura. (Alguém, por favor, diz que é melhor ela se ater a receita?) E eu estou triste porque eu não queria ter que avaliar este livro desta forma, mas a autora não me deixou outra escolha.
Ela destruiu meus sonhos infantis. E eu ainda vou ler o terceiro livro – que também é pelo POV Will, desta vez recontando o primeiro livro (eu particularmente não gosto quando autores fazem isso) -, porque eu sou dessas. Mas será com o coração na mão. E aí eu penso ou não se farei a resenha, porque sei que devem estar cansados de lerem resenhas em que eu esculacho livros. Eu não gosto disso, mesmo, considerem que minhas resenhas são uma forma de desabafar minhas frustrações: livros me elevam a um nível doido de felicidade, mas as vezes eles me deixam muito triste – e nem é um triste bom, é aquele do pior tipo mesmo.
P.S. Eu ainda amo Will com todas as minhas forças. Eu ainda quero um namorado assim. Eu ainda amo as poesias com todas as minhas forças. E por esses dois motivos, apesar dos pesares e da destruição de meus sonhos infantis, eu recomendo o livro.
Eu quero ter amigos nos quais eu possa confiar, que me amem pelo que eu me tornei... Não pelo homem que um dia fui.
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